1# EDITORIAL 8.4.15

"O PT PERDEU O EIXO"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

O Partido dos Trabalhadores, em meio s comemoraes dos 35 anos de existncia, d todos os sinais de ter perdido o eixo. Ou, no mnimo, o bom-senso. Nos ltimos dias, numa tentativa afobada de resgatar relevncia e livrar-se das notrias evidncias de uma agremiao marcada por escndalos de toda ordem, lanou um manifesto que , na essncia e no todo, um deboche contra a sociedade. Soa at como provocao. Alm de negar os esquemas escusos protagonizados por seus filiados  que vo do assalto a estatais ao fisiologismo escrachado, passando pelo Mensalo, dlares na cueca e inmeros outros desvios de conduta -, resolveu posar de vtima. Alega existir um movimento de cerco e aniquilamento devido s virtudes (a palavra que usou  essa mesmo!) do Partido. Extrapola na coreografia de distoro dos fatos. Perseguem-nos, diz o documento, apontando o intuito de inclusive criminalizar a agremiao. O PT no pede desculpas. No admite erros. Ao contrrio, no seu teatro de absurdos incita o confronto. Diz no manifesto que vai buscar a radicalidade poltica. Prega a volta de bandeiras retrgradas, lanadas quando de sua origem e que no vingaram nem mesmo entre os mais ardorosos defensores. O prprio ex-presidente Lula teve que passar por uma espcie de converso de ideias antes de se eleger. Hoje o mesmo Lula  dos primeiros a estimular o dio de classes, consagrando o ns contra eles e lanando ameaas abertas ao Pas, como a de colocar nas ruas o exrcito de Stdile, que chefia a faco radical do MST. Sem autocrtica, o Partido dos Trabalhadores se apequenou. Parece cada vez mais longe dos anseios de tica e justia perseguidos pela sociedade na esmagadora maioria. Patologicamente, a legenda incita uma guerra ilusria que s d sinais de existir dentre suas fileiras, onde apaniguados e usurios da mquina pblica formam o esquadro de sabujos servis e bajuladores, ali posicionados com o nico intuito de no perder a boquinha conquistada via aparelhamento do Estado. Um dos mais tradicionais quadros partidrios, Frei Betto, numa rara clarividncia vinda das hostes petistas, definiu assim o atual momento: O PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Permanecer no poder se tornou mais importante do que fazer o Brasil deslanchar. E para aqueles que a sigla imagina serem seus opositores entrou na ordem do dia a defesa de um pacote de maldades que inclui da taxao de fortunas  reforma agrria. Articulaes nesse sentido j entraram em curso. Nas reinaes dos autores do manifesto est o mal velado desejo de que o Governo atue cada vez mais a servio do partido, mesmo que em detrimento do interesse da hegemnica massa de brasileiros. Um delrio s explicvel pelo tamanho do apetite que alguns ali demonstram ter por continuar a usufruir de benesses sem fim, com o seu, o meu, o nosso dinheiro.


